Em um cenário diplomático tenso, autoridades dos Estados Unidos levantaram objeções à proposta da União Europeia de priorizar a compra de armas fabricadas localmente. Essa iniciativa surge em meio aos esforços da UE para fortalecer sua própria indústria de armamentos, potencialmente restringindo a participação de fabricantes não europeus, entre eles os EUA, em licitações de armas. Durante uma reunião recente com ministros de Relações Exteriores da Lituânia, Letônia e Estônia, o secretário de Estado, Marco Rubio, enfatizou a importância de manter a participação do país nas aquisições de defesa dos estados europeus.
A disputa em torno da compra de armas ilustra uma contradição na política externa dos EUA. O governo de Donald Trump tem pressionado seus aliados europeus a aumentar seus gastos em defesa e a assumir uma maior responsabilidade pela sua segurança. Contudo, ao mesmo tempo, a administração busca assegurar que as empresas americanas possam continuar a competir no mercado de defesa europeu. A proposta "ReArm Europe", apresentada pela Comissão Europeia em março, propõe um empréstimo de 150 bilhões de euros para financiar projetos de defesa, o que favoreceria indústrias europeias em detrimento de concorrentes não europeus.
A reunião de Rubio com os ministros das Relações Exteriores europeus, dentro do contexto das discussões da OTAN em Bruxelas, é vista como um evento crucial para o futuro da cooperação transatlântica em defesa. A Organização do Tratado do Atlântico Norte é profundamente dependente do poderio militar dos EUA, que inclui tanto armas nucleares quanto a presença da 6ª Frota no continente europeu. Portanto, a possibilidade de exclusão de empresas americanas de licitações pode ser interpretada como um indicativo de desconfiança entre os aliados, o que poderia ter repercussões significativas na estabilidade da aliança.
A discussão em torno da compra de armas entre EUA e UE vai além do simples aspecto comercial; representa também um desafio mais amplo envolvendo a busca de uma autonomia defensiva europeia contra o pano de fundo da necessidade de manutenção da cooperação transatlântica. Enquanto a União Europeia persegue o fortalecimento de sua capacidade de defesa, os Estados Unidos buscam garantir que suas empresas continuem a ter acesso competitivo ao mercado. Essa tensão poderá moldar as relações entre os dois blocos nos próximos anos, especialmente à medida que a UE avança em seus projetos conjuntos de defesa, o que representa um panorama complexo para a segurança na região.