Em 25 de março, Mianmar foi abalado por um devastador terremoto de magnitude 7.7, que resultou em mais de 2.700 mortos, 4.500 feridos e centenas de desaparecidos. Este desastre natural agrava uma crise humanitária já severa, ocasionada pela guerra civil que perdura desde o golpe militar de 2021, intensificando a angústia dos sobreviventes e dificultando os esforços de resgate.
O epicentro do terremoto localizou-se na região de Sagaing, no coração do país, estendendo seus efeitos a cidades como Mandalay e Naypyitaw. A situação é ainda mais alarmante devido à falta de infraestrutura adequada de comunicação e ao contínuo estado de conflito armado na área. Antes dessa catástrofe, cerca de 20 milhões de pessoas careciam de assistência humanitária, com aproximadamente 3,5 milhões deslocadas devido à violência.
A resposta ao terremoto enfrenta obstáculos significativos, dado que a catástrofe natural sobrepõe-se a uma crise de longa data. As operações de resgate estão sendo prejudicadas pela escassez de suprimentos essenciais como comida e água, além do aumento da violência com ataques aéreos do exército. Esse cenário gera um clima de medo e desconfiança, dificultando ainda mais o trabalho das organizações humanitárias na região.
Enquanto isso, a comunidade internacional tenta agir. Países como China e Rússia estão mobilizando suporte com o envio de equipes de resgate e a instalação de hospitais móveis para atender às necessidades emergenciais. Em contraste, a resposta dos Estados Unidos foi tímida, com um número reduzido de trabalhadores humanitários e um montante financeiro limitado até o momento. A UNHCR está, por sua vez, em operação para garantir um acesso seguro e eficaz à ajuda humanitária nas áreas afetadas.
O desastre em Mianmar serve como um sombrio lembrete das consequências devastadoras que desastres naturais podem gerar em ambientes já fragilizados por conflitos prolongados. A urgência por ajuda humanitária nunca foi tão evidente, exigindo ação rápida e eficaz para apoiar os que enfrentam essa crise extrema.