A Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, realizará uma visita oficial à Groenlândia entre os dias 2 e 4 de abril de 2025. Este encontro ocorre em um cenário de intensa pressão política imposta pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, que tem manifestado um crescente interesse em controlar esta região rica em recursos naturais.
A Groenlândia, que constitui uma região semi-autônoma do Reino da Dinamarca, abriga uma população de aproximadamente 57.000 habitantes e é vista como um ativo estratégico no contexto geopolítico atual. O interesse dos EUA por essa área tem gerado preocupação entre os groenlandeses, levando a um aumento da desconfiança em relação à política americana.
A visita de Frederiksen tem como foco principal a construção de uma cooperação mais sólida entre a Dinamarca e o novo governo groenlandês, agora sob a liderança de Jens-Frederik Nielsen. A Primeira-Ministra se reunirá com Nielsen e representantes do Naalakkersuisut, o gabinete do governo local, para discutir a importância da colaboração neste momento de incerteza.
Um dos pontos centrais do diálogo será o futuro da Groenlândia e sua trajetória em direção à independência. Este tema se torna ainda mais relevante considerando a pressões externas, especialmente as dos EUA, que buscam influencia sobre a região por conta de suas vastas reservas minerais e da sua posição estratégica no Ártico.
A pressão do governo Trump tem gerado reações variadas entre os groenlandeses. A maioria expressa um sentimento de desconfiança em relação ao interesse dos EUA, o que poderia, paradoxalmente, resultar na aproximação dos partidos moderados da Groenlândia com a Dinamarca. O partido Naleraq, que tradicionalmente defende uma rápida independência e relações amistosas com os EUA, foi excluído das negociações para a formação do novo governo, levando a um aumento das tensões internas.
O crescente interesse mundial pela Groenlândia reflete uma competição geopolítica emergente no Ártico, impulsionada em parte pelas mudanças climáticas que tornam a região mais acessível e, consequentemente, mais valiosa para diversas potências, incluindo os Estados Unidos. A visita da Primeira-Ministra dinamarquesa não é apenas um esforço diplomático para fortalecer laços, mas também uma tentativa de assegurar que a pressão externa não comprometa a autonomia e os interesses da Groenlândia.
Assim, enquanto Frederiksen se prepara para sua viagem, a dinâmica de poder na Groenlândia e as relações dinamarquesas estão em um momento crucial, com implicações significativas para o futuro de toda a região do Ártico.