No dia 28 de março de 2025, Myanmar foi abalado por um terremoto devastador de magnitud 7,7, que causou sérios danos às cidades de Mandalay e Naypyitaw. A catástrofe não apenas resultou em trágicas perdas humanas, mas também profundos impactos na já fragilizada crise humanitária do país, que vive um conflito civil desde o golpe militar de 2021.
A junta militar, comandada pelo general Min Aung Hlaing, declarou sete dias de luto nacional em memória das vítimas do desastre. No entanto, críticas se intensificaram em relação à recusa da junta em permitir acesso irrestrito a grupos humanitários e de direitos, que lutam para ajudar os afetados.
A resposta à catástrofe mobilizou a comunidade internacional, que rapidamente ofereceu ajuda significativa. A China, em particular, enviou equipes de resgate ao local e se comprometeu a fornecer aproximadamente US$ 13,8 milhões em assistência. Outros países, como Índia, Rússia e Coreia do Sul, também se uniram ao esforço, enviando suprimentos e equipes médicas.
A Organização das Nações Unidas (ONU), em um esforço para canalizar a ajuda, destinou US$ 5 milhões para o início das operações de socorro. Contudo, a distribuição efetiva da assistência enfrenta barreiras severas.
Organizações de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch, clamorosamente exigem que a junta militar conceda acesso imediato e irrestrito à ajuda humanitária, ressaltando que as restrições impostas estão dificultando consideravelmente a ação de socorro. As dificuldades enfrentadas pela falta de acesso às áreas devastadas, juntamente com problemas de comunicação devido à internet limitada, complicam ainda mais os esforços dos resgatistas e a entrega de suprimentos essenciais.
Em um movimento para facilitar a assistência nas regiões impactadas pelo terremoto, o Governo de Unidade Nacional, principal agrupamento opositor, anunciou um cessar-fogo parcial. Essa decisão visa não apenas melhorar a condição de sobrevivência das vítimas, mas também minimizar os conflitos armados. Entretanto, a resposta da junta militar, que persiste em atacar grupos rebeldes, tem gerado uma onda de indignação internacional.
À medida que a situação se desenrola, as tensões entre a junta militar e as forças de resistência permanecem elevadas, enquanto as necessidades humanitárias urgentes continuam a crescer. A pressão pela concessão de acesso e pela paz se torna cada vez mais imperativa, conforme Myanmar enfrenta um dos seus períodos mais sombrios.