Desde outubro de 2024, a dinâmica do comércio global de terras raras é profundamente afetada pelo Kachin Independence Army (KIA), um grupo rebelde de Myanmar que tomou o controle das ricas minas de terras raras na região do Kachin. Localizadas nas áreas de Panwa e Chipwe, estas minas são vitais não apenas para Myanmar, mas para a China, que é o maior consumidor mundial de tais minerais.
A disrupção nas operações de mineração tem gerado uma onda de preocupação económica, uma vez que Myanmar responde por uma parcela considerável da oferta global de elementos como o disprósio e o térbio, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos e outros produtos de alta tecnologia. A escassez desses minerais já começou a afetar os preços no mercado, com a China enfrentando um aumento notável em decorrência da interrupção do fornecimento.
Para contornar a crise, o KIA anunciou que permitirá a exportação de estoques já existentes para a China, mas com a imposição de um imposto significativo de 35.000 yuan por tonelada. Essa estratégia vai ajudar a suavizar as tensões de preços, mas levanta questões sobre a viabilidade contínua dessa parceria frente à instabilidade política persistente na região.
Além das preocupações económicas, a mineração de terras raras em Myanmar levanta sérias questões ambientais e sociais. A exploração desmedida tem causado danos ao ecossistema local, criando um impacto negativo nas comunidades circunvizinhas, que frequentemente são os primeiros a sofrer as consequências das atividades mineradoras. A combinação de instabilidade política e problemas ambientais tornaram a situação ainda mais crítica.
O panorama atual em Myanmar também põe em evidência a urgente necessidade de diversificação nas fontes de fornecimento de terras raras. As nações e indústrias dependentes desses minerais devem considerar investimentos em tecnologias de reciclagem e em alternativas de abastecimento mais estáveis para evitar futuras crises. O cenário atual, caracterizado por um ambiente político conturbado e a possibilidade de uma escalada do conflito, implica em que o mercado global de terras raras continuará sob pressão, com projeções de aumento nos preços e maior volatilidade no futuro.