Em uma decisão histórica, os moradores de Paris aprovaram, no último domingo, 23 de março de 2025, uma iniciativa que visa eliminar a circulação de carros em até 500 ruas, transformando esses espaços em zonas exclusivamente destinadas a pedestres. A medida, apoiada por cerca de dois terços dos cidadãos que compareceram às urnas, é parte de um esforço maior da prefeitura para melhorar a qualidade do ar na cidade e torná-la mais segura e agradável para caminhantes.
A prefeita Anne Hidalgo, no cargo desde 2014 e conhecida por sua determinação em promover uma Paris mais sustentável, tem como meta tornar a cidade um exemplo de adaptação às mudanças climáticas. O bloqueio do acesso de carros nas ruas escolhidas ocorrerá de forma gradual, com a intenção de fechar cerca de 25 ruas em cada um dos 20 arrondissements (distritos) da capital, somando-se às aproximadamente 220 ruas que atualmente já não possuem tráfego automotivo.
Entre as iniciativas já implantadas para fomentar essa transformação, destacam-se a proibição de aplicativos de patinete elétrico e o aumento significativo nas tarifas de estacionamento para SUVs, que ajuda a desencorajar o uso de veículos grandes. Desde 2020, Paris tem se comprometido com a criação de 84 quilômetros de ciclovias e a limitação da velocidade máxima da cidade a 30 km/h. A expectativa é que, até 2026, Paris seja completamente adaptada para bicicletas, promovendo uma mobilidade mais ativa entre os seus cidadãos.
Porém, o fechamento de ruas para automóveis não vem sem consequências. A cidade prevê a eliminação de até 10 mil vagas de estacionamento como resultado dessas mudanças, somando-se às 10 mil vagas que já foram removidas desde 2020. Essas iniciativas refletem um movimento crescente na direção de um espaço urbano mais sustentável, priorizando o transporte público e formas de mobilidade alternativa.
Por outro lado, apesar do grande progresso nas políticas de sustentabilidade, Paris ainda se depara com desafios na criação de infraestrutura verde. Atualmente, apenas 26% do território parisiense é dedicado a áreas verdes, enquanto a média em outras capitais europeias é de 41%. Apesar deste cenário, o apoio popular à transformação e as políticas em curso indicam que Paris está se estabelecendo como um modelo de cidade sustentável, avançando em sua missão de se transformar em um local mais habitável e menos dependente de combustíveis fósseis.