Em uma decisão que provocou intensas reações, o gabinete de segurança de Israel aprovou um plano que permitirá a transferência voluntária de palestinos da Faixa de Gaza para países terceiros. Anunciada recentemente, essa medida visa facilitar a saída de moradores que expressem interesse em se mudar, em conformidade com as leis israelenses e internacionais. O plano foi justificado como uma resposta à grave situação humanitária em Gaza, mas enfrenta sérias críticas de organizações de direitos humanos, que o denunciam como um risco de limpeza étnica.
A proposta, que foi apresentada pelo ministro da Defesa, Israel Katz, recebeu apoio do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e é considerada um movimento que se alinha à visão do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que sugeriu a realocação de parte da população palestina. Especialistas e organizações humanitárias têm alarmado que, em meio ao conflito atual, qualquer deslocamento em massa poderia ser qualificado como crime de guerra ou limpeza étnica.
A Autoridade Palestina mostrou-se firmemente contra a proposta, reafirmando a determinação dos palestinos em permanecer em suas terras. O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, descreveu a situação em Gaza como "inabitável", ressaltando as precárias condições que a população civil enfrenta. Em contrapartida, as autoridades israelenses argumentam que a iniciativa será voluntária e que respeita as normas internacionais.
O Ministério da Defesa de Israel já anunciou planos para implementar a medida, com a criação de uma estrutura que facilitará a migração, incluindo rotação de rotas de saída e a construção da infraestrutura necessária. Essa iniciativa é vista como uma tentativa de aliviar a pressão humanitária em Gaza, mas continua a enfrentar uma crescente resistência por causa das dúvidas sobre sua natureza realmente voluntária e o impacto potencial que poderá ter na população local.