O Supremo Tribunal Federal (STF) está em processo de julgamento sobre a questão de se o Google deve fornecer os nomes dos usuários que realizaram buscas relacionadas a Marielle Franco e seu assassinato, um caso emblemático que ainda gera desdobramentos significativos em Brasília. Desde setembro de 2023, a Corte avalia a delicada questão que envolve o direito à privacidade e a necessidade de efetividade nas investigações criminais.
Marielle Franco, uma vereadora do PSOL, foi assassinada em março de 2018, um crime que continua sem solução clara. O caso está cercado de complexidade e mobília social, principalmente pela relevância política da vítima e as implicações do assassinato. Recentemente, cinco indivíduos, incluindo políticos e policiais, foram tornados réus na investigação, trazendo novas perspectivas a um caso que já durava anos.
A tensão jurídica aumentou com a decisão da Justiça fluminense que determinou a quebra de sigilo dos usuários que pesquisaram por termos relacionados a Marielle nos dias que antecederam o crime. Essa decisão é controversa, pois envolve a possibilidade de comprometimento do direito à privacidade de muitos cidadãos que não têm vínculo com o assassinato.
O Google contestou a decisão na instância do STF, alegando que essa quebra de sigilo viola direitos fundamentais dos usuários, uma vez que não é uma medida individualizada. A empresa destaca que a coleta de dados em massa pode resultar em repercussões negativas para pessoas que não estão envolvidas na investigação.
Em um dos votos iniciais, a ministra Rosa Weber se posicionou contra a quebra de sigilo, defendendo que essa ação representa uma violação da privacidade dos indivíduos e carece de suporte legal adequado. Em contraste, o ministro Alexandre de Moraes argumentou que a quebra de sigilo pode ser justificada se ficar demonstrada a proporcionalidade e fundamentos consistentes de indícios de crime.
O julgamento do STF ainda não chegou a um veredito final. Após um pedido de vista do ministro André Mendonça, o futuro da questão permanece em aberto. A decisão será crucial não apenas para o caso de Marielle Franco, mas também estabelecerá precedentes que poderão influenciar investigações criminais e questões de privacidade no Brasil nos anos vindouros.
O desfecho dessa situação poderá modificar drasticamente a maneira como a quebra de sigilo é aplicada em investigações no país, equilibrando entre a necessidade de Justiça e a proteção dos direitos individuais dos cidadãos.