O ex-presidente da Costa Rica e laureado com o Nobel da Paz, Óscar Arias, gerou repercussão ao declarar que os Estados Unidos possuem características de autocracia. A afirmação veio à tona após o governo americano cancelar seu visto de turismo e negócios, notificado por e-mail no dia 1º de abril, quando Arias tinha 84 anos.
Arias, que mandou no país por duas vezes, de 1986 a 1990 e de 2006 a 2010, é amplamente reconhecido por seu papel diplomático na América Central e sua contribuição para a paz na região, recebendo o Nobel em 1987 por ajudar a terminar as guerras civis que ocorreram em diversos países vizinhos.
O ex-presidente, que recentemente criticou a política de deportação de imigrantes e a guerra comercial do ex-presidente Donald Trump, destaca que seu visto não foi o primeiro a ser cancelado entre líderes centro-americanos. No entanto, ele salienta que outros tais cancelamentos estavam ligados a processos judiciais por corrupção, enquanto seu caso parece estar vinculado à sua postura de estabelecer relações diplomáticas com a China, que se intensificou em 2007.
A decisão de Arias de se aproximar da China, que tem buscado expandir sua influência na América Latina, pode ter contribuído para a decisão de Washington. A China expressou gratidão ao ex-presidente ao financiar a construção do Estádio Nacional de futebol em San José, evidenciando a estreita relação entre os dois.
Arias tornou-se uma voz crítica ao apontar as restrições às liberdades civis nos Estados Unidos. Ele fez uma comparação com a Estátua da Liberdade, um ícone da liberdade, questionando como o país pode querer silenciar opiniões divergentes, enfatizando que esse comportamento destoa dos princípios democráticos. Essas declarações revelam um profundo desconforto com a atual situação em Washington, refletindo um cenário de crescente tensão política e diplomatico com líderes internacionais.
Com a trajetória política de Arias moldada por batalhas por direitos humanos e diplomacia, suas declarações podem impactar o debate sobre a autocracia e a liberdade na esfera internacional. As repercussões de seu discurso sobre os EUA e o papel da China na América Latina devem ser acompanhadas de perto, especialmente em um mundo cada vez mais polarizado.