A deputada federal Duda Salabert, do Partido Democrático Trabalhista de Minas Gerais, apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados que visa proibir a concessão de anistia a aqueles que sejam investigados ou condenados por crimes contra as instituições democráticas. Essa proposta surge em meio ao debate acirrado sobre a anistia proposta para os envolvidos nos ataques antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
A iniciativa foi protocolada em 31 de março, data emblemática que marca o 61º aniversário do golpe militar de 1964, e reflete o compromisso de Salabert em fortalecer os valores democráticos e coibir a impunidade de ações que ameaçam a ordem constitucional. Ela afirma que a anistia a comportamentos que violam a democracia é uma afronta ao Estado de Direito e às normas que sustentam a sociedade brasileira.
O projeto surge em um ambiente político tenso, onde a oposição, encabeçada pelo Partido Liberal (PL), está pressionando para aprovar um projeto de anistia que beneficiaria os envolvidos nos incidentes de janeiro. Esse projeto de anistia, protocolado em 2024, enfrenta grande resistência da base aliada ao governo e está atualmente estagnado na Câmara dos Deputados. A urgência da oposição em aprovar a anistia contrasta com a intenção de Salabert de garantir a responsabilização dos envolvidos.
A proposta de Duda Salabert é vista como uma reação direta ao crescente movimento pela anistia entre os parlamentares da oposição. O PL, sob a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresenta o suporte de aproximadamente 300 deputados que seriam favoráveis a essa anistia. No entanto, a base governista tenta barrar uma votação célere dessa matéria, argumentando que permitir a anistia poderia fomentar a impunidade e comprometer os pilares da democracia brasileira.
Atualmente, o projeto de Salabert aguarda a análise nas diversas comissões que atuam na Câmara dos Deputados, enquanto a oposição continua a pressionar pela rapidez na votação do projeto de anistia. A intensificação do debate político a respeito de como lidar com os responsáveis pelos ataques antidemocráticos revela a profunda divisão existente no Congresso Nacional. A definição do rumo das propostas depende da dinâmica política e do posicionamento do presidente da Câmara, Hugo Motta, diante dessas questões.