Marine Le Pen, a proeminente figura da extrema-direita francesa e presidente do partido Reunião Nacional (RN), recebeu uma condenação que altera dramaticamente o panorama político do país. Em uma sentença proferida em 31 de março, a Justiça a condenou por desvio de fundos públicos europeus, resultando em cinco anos de inelegibilidade. Este desenvolvimento a impede de participar da eleição presidencial de 2027, a menos que obtenha êxito em um recurso. Além da inelegibilidade, Le Pen foi sentenciada a quatro anos de prisão, dos quais dois devem ser cumpridos em regime domiciliar, e a uma multa de 100 mil euros.
A condenação representa um golpe significativo para o partido, que vinha crescendo em popularidade nas últimas eleições, impulsionando seu discurso antiestablishment. A condenação refere-se ao desvio de mais de 4 milhões de euros do Parlamento Europeu, destinado a pagar funcionários do partido entre 2004 e 2016. A defesa, na tentativa de justificar o uso dos fundos, alegou que o dinheiro foi utilizado para remunerar assessores parlamentares. No entanto, a Justiça concluiu que esses trabalhadores atuavam exclusivamente em favor do partido, configurando uma violação das normas da União Europeia.
A decisão também acirra o debate sobre a interferência do sistema judiciário na política francesa. O partido Reunião Nacional, atualmente liderando nas pesquisas de intenção de voto para a próxima eleição presidencial, agora enfrenta desafios sem precedentes. Jordan Bardella, considerado o braço direito de Le Pen, surge como um potencial candidato para substituir sua líder, mas sua capacidade de ampliar o eleitorado do partido é objeto de dúvidas entre os especialistas.
As reações internacionais à condenação foram polarizadas. Críticos da decisão, como Rússia e Hungria, expressaram apoio à líder da extrema-direita, enquanto partidos franceses de esquerda e centro celebraram a condenação como um passo positivo para a ética na política. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reforçou a sua solidariedade a Le Pen, enquanto grupos progressistas, como o partido Europa Ecologia Os Verdes, argumentaram que Le Pen deve cumprir sua pena, destacando a necessidade de responsabilidade no sistema político.
Com a condenação e a inelegibilidade, o futuro político de Marine Le Pen e do seu partido se torna incerto, levantando questões sobre o impacto das decisões judiciais no jogo político francês e o próximo panorama eleitoral.