O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, programou uma visita à Hungria no dia 2 de abril, em meio a controvérsias relacionadas a uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Esta viagem foi anunciada pelo escritório do premier no último domingo, dia 30 de março, e está marcada para ocorrer apesar das graves alegações que pesam sobre ele.
Durante a estadia, que se estenderá até 6 de abril, Netanyahu se reunirá com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e outros oficiais seniores. A visita acontece em um momento delicado para Netanyahu, uma vez que o TPI apontou o líder israelense e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, como alvos de mandados de prisão por supostos crimes contra a humanidade e crimes de guerra, como o uso da fome como método de combate durante a recente guerra com o Hamas em Gaza.
A Hungria, mesmo tendo ratificado o Estatuto de Roma que institui o TPI, optou por não cumprir as ordens do tribunal, citando questões constitucionais. O governo de Orbán tem sido um aliado constante de Israel, e, após a ordem do TPI, Orbán a criticou como "vergonhosa". Ele assegurou que a ordem de prisão não será observada durante a visita de Netanyahu, reafirmando a proximidade política entre os dois países.
A decisão de Netanyahu de viajar à Hungria, mesmo frente a acusação internacional, revela uma complexa dinâmica política no cenário global. O apoio da Hungria pode servir como um indicativo de solidariedade à Israel, especialmente em um momento de crescente pressão internacional vinda de países e organizações que apoiam as determinações do TPI.
A manutenção de relações favoráveis entre Israel e Hungria pode impactar a posição da União Europeia em questões relacionadas aos direitos humanos e justiça internacional. Se a Hungria seguir com essa postura de apoio a Netanyahu, poderá haver repercussões nas relações do país com outros estados-membros da UE que apoiam ações mais duras contra Israel.
A viagem de Netanyahu será, portanto, não apenas uma oportunidade para ele reafirmar laços com líderes húngaros, mas também um ponto de inflexão na política internacional, refletindo as tensões e alianças existentes entre nações em um momento de crise humanitária e conflitos recentes.