As negociações entre a Índia e os Estados Unidos para um acordo comercial bilateral deram um passo significativo durante encontros realizados em Nova Délhi, que ocorreram entre 26 e 29 de março de 2025. Os dois países estão empenhados em atingir a ambiciosa meta de expandir o comércio a impressionantes $500 bilhões até 2030.
O principal foco dessas discussões gira em torno da redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, além do aumento do acesso ao mercado e da integração de cadeias de suprimentos que sejam mutuamente benéficas. A delegação americana foi liderada por Brendan Lynch, assistente do representante comercial dos EUA para a Ásia Meridional e Central, destacando a seriedade com que os EUA encaram este acordo.
Entretanto, as negociações são complexas e enfrentam desafios consideráveis. A implementação de tarifas recíprocas pelos EUA, que se tornará efetiva em 2 de abril, representa um dos maiores obstáculos. O governo indiano está buscando uma isenção dessa imposição tarifária enquanto continua seu diálogo com os norte-americanos.
Os EUA têm pressionado a Índia a reduzir tarifas em produtos críticos, como bens agrícolas, bebidas alcoólicas e veículos, ao mesmo tempo em que solicitam um maior acesso ao mercado para suas empresas. Essa dinâmica de pressão e negociação poderá moldar o futuro das relações comerciais entre esses dois gigantes econômicos.
As consequências econômicas são palpáveis. A Índia, que atualmente registra um déficit comercial de $45.6 bilhões em relação aos EUA, enfrenta tarifas médias que são significativamente mais altas do que as aplicadas nas trocas entre outras nações. A imposição das tarifas recíprocas poderia ter um impacto desfavorável nas exportações indianas, especialmente nos setores de farmacêuticos e joias, que são cruciais para a economia do país.
Apesar desses obstáculos, a relação comercial entre Índia e EUA tem se fortalecido, com um comércio bilateral que alcançou a marca de $119.71 bilhões no período de 2023-2024. Assim, enquanto ambos os países se preparam para finalizar a primeira fase do acordo até o outono de 2025, o foco em encontrar soluções para os desafios tarifários poderá definir o sucesso dessa parceria.