Em uma decisão que suscitou intensas controvérsias, o líder da junta militar da Guiné, Mamady Doumbouya, anunciou a anistia ao ex-ditador Moussa Dadis Camara. Camara, que cumpria uma condenação de 20 anos pela sua participação no massacre de 2009 no estádio de Conakry, recebeu a liberdade devido a "motivos de saúde", conforme declarado na televisão estatal na última sexta-feira.
O massacre ocorreu em 28 de setembro de 2009, quando forças de segurança abriram fogo contra manifestantes que se mobilizavam em um protesto a favor da democracia, resultando em pelo menos 157 mortes. Durante o evento, milhares de pessoas se reuniram, pressionando Camara a não se candidatar novamente à presidência.
A brutalidade do ataque não se limitou ao número de mortos; muitas mulheres relataram casos de violência sexual e brutalidade, com forças de segurança utilizando gás lacrimogêneo e métodos violentos contra os manifestantes. A condenação de Camara, juntamente com outros sete altos comandantes militares, visava responsabilizá-los por seus atos. No entanto, a anistia agora reabre debates sobre a justiça na Guiné.
A reação à decisão de Doumbouya foi de indignação entre ativistas e órgãos de direitos humanos. Para muitos, essa anistia representa não apenas um retrocesso na luta por justiça, mas também uma ameaça à responsabilização de líderes militares por crimes passados. A junta militar também se comprometeu a pagar indenizações às vítimas do massacre, incluindo somas significativas para sobreviventes de violência sexual e famílias das vítimas.
Analistas comentam que essa anistia pode ser vista como uma estratégia para manter a estabilidade política em um país que já enfrenta desafios internos. A liderança militar, que chegou ao poder após um golpe em 2021, está tentando equilibrar as complexidades da justiça com a necessidade de paz interna. Contudo, a decisão suscita preocupações sobre a impunidade e a falta de um compromisso verdadeiro com a justiça, sinalizando que as feridas abertas do passado podem não ser tratadas adequadamente.
A perpectiva futura para a Guiné permanece incerta, já que a sociedade civil e os defensores dos direitos humanos continuarão pressionando por respostas e accountability. O que permanece claro é que a anistia a Camara pode ser um catalisador para reavivar discussões sobre justiça e direitos humanos no país, assim como um teste de fogo para a junta militar que governa atualmente.