A Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou seu foco para o inquérito que investiga o suposto desvio de joias sauditas, ao mesmo tempo em que recomendou o arquivamento do caso que envolvia a falsificação de cartões de vacinação pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, datada de 27 de março de 2025, reflete a análise da PGR de que não existem provas suficientes para sustentar a denúncia relacionada às vacinas.
A investigação sobre a falsificação de cartões de vacinação, que levou ao indiciamento de Bolsonaro pela Polícia Federal em março de 2024, foi encerrada devido à constatação de que não havia evidências autônomas que apoiassem as acusações. A recomendação de arquivamento, portanto, evidencia o cuidado da PGR em não prosseguir com um caso que, segundo sua avaliação, carece de consistência probatória.
Por outro lado, o inquérito referente ao desvio de joias sauditas permanece ativo e é considerado pela PGR como uma apuração mais robusta. Este caso, que já resultou no indiciamento de Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro em julho de 2024, ainda está sendo analisado por autoridades. A expectativa é de que a PGR tome uma decisão sobre esse inquérito ainda neste semestre, o que poderá influenciar a situação política do ex-presidente.
A relação entre a Polícia Federal e a PGR demonstra divergências significativas, especialmente no que se refere aos casos envolvendo Bolsonaro. As diferentes interpretações sobre as investigações, como a tentativa de golpe de Estado, podem ter um papel crucial no andamento dos diversos casos. Essas disparidades também afetam o inquérito das joias, pois a decisão final sobre este assunto não recai somente sobre a PGR, mas também sobre o Supremo Tribunal Federal, que não é obrigado a seguir as diretrizes do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a natureza dos presentes recebidos por presidentes.
A continuidade da investigação sobre as joias sauditas representa um desafio não apenas para Bolsonaro, mas também para a PGR, que deve navegar entre as diferentes pressões e expectativas de resultados. Enquanto isso, o arquivamento do caso das vacinas se destaca como uma vitória temporária para o ex-presidente, situando-se em um cenário político cada vez mais complexo.