O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi indicado pelo governo Lula para o conselho fiscal da Eletrobras, em um momento crucial para a política energética do Brasil. Essa decisão não apenas destaca a intenção do governo de recuperar influência sobre empresas estratégicas, mas também levanta questões sobre o futuro da energia no país.
A indicação ocorre enquanto Lula busca ampliar sua representatividade em conselhos de corporações significativas. O governo agora pode nomear até três integrantes para o conselho da Eletrobras. Em troca, a empresa se compromete a mitigar os riscos envolvidos em projetos nucleares, como o da usina de Angra 3, um tema polêmico na agenda nacional.
Guido Mantega, que foi figura central nos governos de Lula e Dilma Rousseff, já havia sido cogitado para outros cargos em empresas de peso, como na Vale e Braskem. No entanto, sua designação para a Eletrobras representa uma espécie de renascimento político, oferecendo-lhe uma nova plataforma para exercer sua expertise em gestão econômica.
A entrada de Mantega, ao lado de outros nomes como Silas Rondeau, Maurício Tolmasquim e Nelson Hubner, indica uma tentativa deliberada de reverter os efeitos da privatização da Eletrobras, que ocorreu durante a administração Bolsonaro. Esses novos membros deverão ser aprovados na assembleia do final de abril, um momento decisivo que poderá definir o futuro da empresa e, possivelmente, da política energética no Brasil.
Contudo, o governo Lula também enfrenta desafios significativos. Com uma recente pesquisa revelando apenas 41% de aprovação e 54% de desaprovação, qualquer movimento político, incluindo a indicação de Mantega, corre o risco de encontrar resistência. A polarização política no Brasil se intensifica, e as críticas à estratégia do governo são esperadas. Essa aliança pode ser uma tentativa de consolidar a base política de Lula em um cenário cada vez mais desafiador.
À medida que o governo busca recuperar sua influência na Eletrobras e em outras empresas-chave, o papel de Mantega poderá ser determinante para moldar a política energética do Brasil nos próximos anos.