Léo Índio, primo dos filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de uma controvérsia ao revelar que sua viagem para a Argentina foi motivada pelo temor de uma possível prisão no Brasil. O político enfrenta acusações no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é réu por envolvimento nos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023, incluindo acusações de golpe de Estado e associação criminosa armada.
A situação se agravou desde o final de fevereiro, quando Léo Índio decidiu deixar o Brasil. Em sua própria defesa, ele explicou que adentrou o território argentino sem passaporte, utilizando-se das regras do Mercosul, que permitem a entrada apenas com documento de identidade. Desde então, ele permanece no país vizinho há mais de 20 dias.
Em uma entrevista concedida a uma rádio local, Léo Índio relatou que sua estadia na Argentina é uma fuga de "perseguição política" e "injustiças" praticadas pelo STF. Para validar sua condição, ele procurou a Comisión Nacional para los Refugiados (Conare), onde conseguiu um documento de permanência provisória válido por 90 dias, com possibilidade de renovação.
Em resposta a essas declarações, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu um ultimato à defesa de Léo Índio. Ele exigiu que os advogados do político apresentem esclarecimentos sobre sua estadia na Argentina no prazo de 48 horas. Este movimento é uma tentativa de esclarecimento sobre as alegações de Léo Índio e fortalece a pressão sobre ele para que retorne ao Brasil e enfrente as acusações que lhe são imputadas.
A defesa de Léo Índio argumenta que ele não cometeu crimes, alegando que sua participação em manifestações foi pacífica e inesperadamente transformou-se em tumulto. No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) discorda, afirmando que sua intenção ao participar dos movimentos antidemocráticos era sujeitar à ordem pública a um colapso. Essa disparidade nas interpretações legais poderá trazer complicações significativas, incluindo a possibilidade de extradição, caso Léo Índio não retorne ao Brasil e cumpra o processo judicial.
À medida que o caso avança, a situação de Léo Índio se torna cada vez mais delicada. A quantidade de repercussões jurídicas que ele poderá enfrentar dependerá de como sua defesa se articulará nas próximas horas e da postura que o STF tomará em relação a sua ausência. Certamente, esse evento se insere em um contexto maior de polarização política no Brasil, refletindo a tensão entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e as instituições do país.