Os idosos na Argentina enfrentam tempos difíceis desde que Javier Milei assumiu a presidência, em dezembro de 2023. As políticas econômicas ultraliberais implementadas pelo novo governo têm gerado um impacto severo sobre esse grupo, tornando-os altamente vulneráveis em um cenário de austeridade e alta inflação.
Com a liberação dos preços, medicamentos e serviços essenciais tiveram seus custos elevados, dando um novo significado ao termo custos de vida. Dados recentes revelam que o custo dos medicamentos dobrou, enquanto a qualidade dos serviços essenciais caiu drasticamente. Além disso, os cortes drásticos em gastos públicos afetaram diretamente o valor das aposentadorias, questão que gera grande preocupação entre a população idosa.
A inflação na Argentina teve um marco histórico em 2023, alcançando impressionantes 211,4%. Apesar de uma redução para 117,8% em 2024, essa queda se deve majoritariamente à recessão econômica acentuada pelos cortes em áreas sociais. A realidade é que muitos aposentados estão sendo empurrados para a pobreza, com cerca de 60% dos aposentados recebendo uma pensão mínima de aproximadamente R$ 1.970, quantia considerada insuficiente para cobrir as necessidades básicas.
Essas condições geraram um clima de insatisfação crescente entre os idosos, que têm se mobilizado em protestos semanais, exigindo melhorias nas condições de vida e a atualização dos valores das aposentadorias. Recentemente, esses protestos ascenderam a um nível de violência, envolvendo confrontos com a polícia que resultaram em prisões e feridos, evidenciando a frustração acumulada em uma população já fragilizada.
A situação é ainda mais complicada pela falta de apoio familiar: muitos aposentados não têm filhos ou parentes que possam ajudá-los a enfrentar essa crise. Nesse contexto, a discussão sobre uma reforma previdenciária propostos pelo governo Milei, que inclui o aumento da idade mínima para aposentadoria e restrições para quem não atinge o número mínimo de contribuições, ha desencadeado reações adversas. Essas reformas são vistas por muitos como uma ameaça adicional aos já vulneráveis, aumentando a resistência à implementação de tais mudanças.
O cenário atual para os idosos na Argentina é alarmante, com a maioria vivendo abaixo da linha da pobreza. Este é um momento crucial para que o governo reavalie suas políticas e busque alternativas que priorizem a proteção dos direitos dos idosos. A necessidade de garantir condições de vida dignas e assegurar a integridade dessa população vulnerável nunca foi tão urgente.