Em um movimento diplomático significativo, os Estados Unidos apresentaram à Síria uma lista de condições para obter alívio parcial das sanções. O encontro ocorreu em 18 de março, durante a Conferência dos Doadores para a Síria em Bruxelas, e marcou o primeiro contato direto de alto nível entre Washington e Damasco desde que o presidente Donald Trump assume o cargo em janeiro de 2025. A lista de demandas foi entregue pelo subsecretário adjunto dos EUA para o Levante e a Síria, Natasha Franceschi, ao ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad al-Shaibani.
Entre as condições impostas pelos EUA estão a destruição de qualquer estoque remanescente de armas químicas e a cooperatividade total com organismos internacionais de monitoramento. A Síria também deve intensificar seus esforços no combate ao terrorismo e remover combatentes estrangeiros de cargos governamentais seniores. Uma exigência adicional é a nomeação de um intermediário para auxiliar na busca pelo jornalista americano Austin Tice, desaparecido na Síria há mais de uma década.
O contexto em que essas demandas se inserem é preocupante: a economia síria está em acentuado declínio após quase 14 anos de guerra. As sanções impostas pelos EUA, Reino Unido e Europa, inicialmente criadas para isolar o regime de Bashar al-Assad, ainda estão em vigor mesmo após a queda do regime em dezembro de 2024. Embora medidas temporárias tenham sido implementadas para facilitar a ajuda humanitária, elas tiveram um impacto limitado na recuperação econômica do país, que busca urgentemente aliviar a pressão das sanções para reativar sua economia desolada.
A entrega dessas condições pelos EUA pode sinalizar uma possível mudança na política estadunidense em relação à Síria, embora não haja um cronograma claro estabelecido para a implementação dessas exigências. Esse cenário pode abrir caminho para um novo diálogo entre as duas nações e reconfigurar a dinâmica regional, mas ainda é incerto o quanto a Síria está disposta a atender essas demandas exigentes.