Em 23 de fevereiro de 2025, as eleições federais na Alemanha marcaram um divisor de águas na política do país. O partido de extrema-direita, Alternative für Deutschland (AfD), conquistou 20,8% dos votos e 152 assentos no Bundestag, tornando-se a segunda força política mais poderosa. A ascensão da AfD levantou uma série de questões sobre o futuro político da Alemanha e suas implicações na União Europeia.
As eleições de 2025 ocorreram sete meses antes do que estava previsto, a consequência da dissolução da coalizão governista em 2024. Apesar de a CDU/CSU, liderada por Friedrich Merz, ter obtido 28,5% dos votos, a surpreendente ascensão da AfD, que dobrou sua participação em comparação com as eleições passadas, foi o principal destaque do pleito. Sob a liderança de Alice Weidel, a AfD encontrou sucesso em regiões economicamente desfavorecidas, como a parte leste da Alemanha, que tem enfrentado altos índices de desemprego juvenil.
A fragmentação do parlamento trouxe desafios significativos para a formação de coalizões, agora mais necessária do que nunca. Com a CDU/CSU descartando a possibilidade de aliança com a AfD, a alternativa mais viável parece ser uma "Grande Coalizão" com o SPD, embora este partido tenha sofrido uma considerável perda de apoio, obtendo apenas 16,4% dos votos. Tal coalizão poderia resultar em uma política mais conservadora e de fiscalidade restritiva, afetando diretamente a população.
A imagem da AfD está em processo de redefinição. O partido vem adotando uma postura menos agressiva, buscando maior presença nas redes sociais em vez de realizar manifestações tradicionais. Contudo, a mensagem anti-imigração e a retórica cética em relação às mudanças climáticas continuam a ser pilares centrais de sua plataforma política. Além disso, a inclusão de figuras controversas como Maximilian Krah pode acirrar ainda mais o ambiente político no Bundestag.
A ascensão da AfD não é um fenômeno isolado e reflete uma tendência mais ampla de polarização política, que pode ter repercussões além das fronteiras da Alemanha. O impacto desta mudança será sentido em toda a Europa, uma vez que partidos de extrema-direita em outros países podem se sentir encorajados por tais resultados eleitorais. Isso pode intensificar as tensões dentro da União Europeia, especialmente nas esferas da migração e das políticas climáticas, que já estão em debate acalorado entre os Estados membros.
À medida que a AfD busca consolidar seu poder e influência, as consequências de sua ascensão moldarão não apenas a política interna da Alemanha, mas também a dinâmica da cooperação europeia nas questões mais prementes do nosso tempo.