A indústria pesqueira dos Estados Unidos, avaliada em aproximadamente $320 bilhões, enfrenta uma crise sem precedentes devido ao congelamento regulatório de 60 dias declarado pelo presidente Donald Trump em 20 de janeiro de 2025. Essa medida visa revisar regulamentações federais, mas traz incerteza que pode comprometer a sustenção do setor.
A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão fundamental para a gestão das pescarias, é responsável por estabelecer cotas e determinar o ciclo das temporadas de pesca. Entretanto, o congelamento está atrasando reuniões cruciais, o que resulta na indefinição de novas regras que podem impactar diretamente a sustentabilidade das espécies.
Um dos efeitos mais visíveis desse congelamento é a sobrepesca do atum azul no Atlântico, particularmente nas águas da Carolina do Norte. A consequência disso pode ser a imposição de cotas reduzidas para pescadores de Nova York e Nova Inglaterra, especialmente quando os atuns migrarem para o norte durante o verão. Essa questão não é apenas técnica; as implicações econômicas são sérias, pois a sobrepesca pode ocasionar estoques reduzidos e instabilidade financeira.
Além disso, a NOAA já sofreu um corte de 5% em sua força de trabalho relacionada à pesca, incluindo biólogos e especialistas em gestão pesqueira. Esses profissionais desempenham um papel fundamental no monitoramento da saúde dos estoques e na elaboração de consultorias sobre regulamentações. Sua ausência gera confusão tanto dentro da instituição quanto entre os envolvidos na atividade pesqueira.
Os desafios se intensificam para pescadores menores, que dependem de espécies migratórias ou utilizam embarcações menores. Para eles, o congelamento representa um risco adicional, uma vez que a falta de regulamentação pode inviabilizar suas operações e ameaçar sua subsistência.
O futuro da indústria pesqueira dos EUA está em jogo, e o descongelamento das regulamentações poderá ser uma medida necessária para evitar um colapso nas pescarias que, se não adequada, poderá desencadear uma crise ainda maior tanto econômica quanto ambiental.