O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para o Japão entre os dias 24 e 27 de março com um objetivo claro: avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Japão. Durante sua estadia em Tóquio, Lula será recebido em uma visita de "primeira categoria", o que representa a mais alta distinção da diplomacia japonesa. O presidente brasileiro se encontrará com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e o imperador Naruhito, com o intuito de impulsionar as tratativas que, até o momento, têm sido exploratórias, focando especialmente em produtos do agronegócio e no acesso ao mercado japonês.
As discussões entre o Mercosul e o Japão já ocorrem há anos, mas até agora não se concretizaram em negociações formais. O Brasil está buscando uma decisão política que permita a iniciação de tratativas oficiais que, estima-se, podem levar anos para serem finalizadas. Apesar do Japão demonstrar certo receio, especialmente em relação ao impacto no agronegócio interno, os demais países do Mercosul mantêm-se favoráveis à concretização desse acordo.
Em termos econômicos, estabelecer uma parceria sólida com o Japão é significativo, uma vez que este país é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, perdendo apenas para a China, e ocupa a 11ª posição globalmente. Em 2023, o comércio bilateral entre o Japão e os países do Mercosul atingiu a marca de US$ 14 bilhões, resultando em um superávit de US$ 785 milhões para o bloco sul-americano. Os principais produtos que o Mercosul exporta incluem minério de ferro, milho e miúdos de frango, destacando-se como componentes cruciais dessa relação comercial.
Uma das principais demandas abordadas na visita de Lula é a abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira, uma reivindicação antiga do Brasil. Desde 2005, o país tenta, sem sucesso, ter acesso a esse mercado, que atualmente importa cerca de 70% de sua carne bovina de fornecedores como os Estados Unidos e a Austrália.
A viagem do presidente é parte de uma estratégia maior de diversificação das parcerias comerciais do Brasil na Ásia. Com isso, o governo brasileiro busca equilibrar as influências das potências econômicas, China e EUA, evitando se ver no meio de disputas comerciais entre esses dois gigantes. Ao ampliar suas relações no continente asiático, o Brasil se posiciona não apenas como um jogador estratégico, mas também como um potencial líder nas negociações comerciais internacionais.