A guerra comercial entre Canadá e China ganhou nova intensidade com a imposição de tarifas de até 100% sobre o óleo e farelo de canola canadense, em resposta a tarifas canadenses sobre veículos elétricos e produtos de alumínio e aço da China. Essa medida, além de impactar diretamente os agricultores canadenses, se dá num momento crítico, na iminência da temporada de plantio, gerando profunda preocupação entre os produtores.
A canola é uma das principais culturas de exportação do Canadá, e a China representa um dos maiores mercados para este produto. Com as novas tarifas em vigor, agricultores como Clinton Monchuck, de Lanigan, Saskatchewan, já preveem perdas significativas. Ele estima que sua produção poderá sofrer uma redução de $100,000 este ano se as tarifas forem mantidas. O cenário se agrava ainda mais com a queda nos preços da canola, reflexo direto das tarifas.
Além da crise com a China, os agricultores canadenses também precisam lidar com o anúncio de que os Estados Unidos planejam implementar uma tarifa de 25% sobre todas as importações canadenses a partir de abril. Isso poderá complicar ainda mais a situação, especialmente no que diz respeito à exportação de fertilizantes, que são vitais para a agricultura.
O governo canadense já se manifestou, classificando as tarifas chinesas como injustificadas, mas não apresentou um plano concreto para apoiar os agricultores afetados. Governantes de províncias agrícolas como Alberta, Saskatchewan e Manitoba, que dependem fortemente do mercado chinês para exportar bilhões de dólares em produtos agrícolas anualmente, estão pedindo ações imediatas para enfrentar essa crise.
A perspectiva da crise comercial é sombria. O governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, enfatizou a necessidade de uma política monetária flexível para navegar a incerteza causado pelas tensões comerciais. Especialistas indicam que essa guerra tarifária pode causar uma perda de até 3% no PIB canadense nos próximos dois anos, levantando preocupações sobre um impacto econômico duradouro para um setor agrícola já vulnerável.
\nEnquanto os agricultores se preparam para a próxima temporada de plantio, a interligação das crises comerciais com a China e os EUA gera um clima de incerteza, pressionando muitos a repensar suas estratégias de cultivo e exportação. A crise não é apenas uma questão econômica, mas uma prova de resistência para o agronegócio canadense diante de adversidades globais em um contexto cada vez mais competitivo.