Em um movimento recente, os credores oficiais da Etiópia concordaram em conceder ao país um prazo adicional para o pagamento de suas dívidas, sem a realização de cortes diretos no montante devido. Este acordo crucial faz parte Iniciativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que almejam tornar a dívida etíope "sustentável" até o ano de 2028, em um contexto de crescente preocupação financeira.
A Etiópia, que enfrentou um default em dezembro de 2023, estabeleceu um acordo preliminar em março com o Comitê de Credores Oficiais (OCC) para reestruturar um total de 8,4 bilhões de dólares em dívidas. Essa reestruturação é essencial para que o país possa se reerguer economicamente e evitar crises futuras.
A reestruturação da dívida da Etiópia ocorre no âmbito do esquema conhecido como Common Framework do G20, criado para facilitar o tratamento de dívidas de nações em desenvolvimento. A proposta acordada com os credores oficiais inclui um alívio de 2,5 bilhões de dólares no serviço da dívida durante o período do programa do FMI até 2028.
No entanto, uma parte importante dos investidores, especialmente aqueles que detêm Eurobonds da Etiópia no valor de 1 bilhão de dólares, exprimiu descontentamento com as propostas de reestruturação. Eles rejeitaram firmemente a ideia de um corte de 18% na dívida, afirmando que o problema da Etiópia se resume a uma questão de liquidez, e não de solvência.
As negociações em torno da dívida etíope têm sido complicadas. William Roos, co-presidente do OCC, ressaltou que a situação do país não se limita a um dilema de liquidez, mas há uma necessidade crucial de que o estoque total de dívidas seja reduzido. A colaboração com a China, também co-presidente do OCC, coletivamente tem sido eficaz, com ambas as partes trabalhando de maneira cooperativa.
Adicionalmente, a Etiópia encontra-se em uma condição financeira relativamente mais favorável do que outras nações que recentemente passaram por reestruturações, como Zâmbia e Gana, o que confere uma leve vantagem nas negociações)
Os meses próximos serão decisivos para a formalização do acordo de reestruturação da dívida. A Etiópia se dedicará a finalizá-lo com um Memorando de Entendimento com seus credores oficiais até abril, conforme já foi anunciado anteriormente. O êxito das negociações será vital para que o país possa restaurar a sustentabilidade de sua dívida externa e também para viabilizar a implementação de uma série de reformas econômicas apoiadas pelo FMI.
A situação da Etiópia reflete os desafios comuns enfrentados por diversas nações em desenvolvimento, que precisam equilibrar suas finanças públicas diante de pressões econômicas globais em constante evolução. É um momento crítico que poderá determinar o rumo econômico do país nos próximos anos.