Marcelo Rubens Paiva, renomado escritor brasileiro, tem uma missão clara e impactante em sua obra "Ainda Estou Aqui", lançada em 2015. O livro, produzido em um curto espaço de três meses, reflete a intensidade de uma luta pessoal e coletiva pela verdade no Brasil, especialmente em tempos sombrios da ditadura militar que perdurou de 1964 a 1985.
A narrativa se configura como um testemunho irrefutável da realidade vivida por sua família, marcada pela perseguição e pela dor. O pai de Marcelo, Rubens Paiva, foi cassado, preso, torturado e assassinado por agentes do regime militar, um evento que moldou a vida de seus filhos e de sua esposa, Eunice Paiva. A urgente necessidade de relatar essa história tornou-se não apenas uma forma de honrar a memória do pai, mas também um ato de resistência contra o esquecimento.
O livro mergulha profundamente na narrativa histórica da ditadura, evidenciando a luta de Eunice Paiva. Após a trágica perda do marido, ela transformou sua dor em ação, tornando-se advogada e defensora dos direitos humanos e indígenas. Sem o apoio financeiro e emocional de um companheiro, Eunice enfrentou a dura tarefa de criar seus cinco filhos, ao mesmo tempo em que lutava por justiça e verdade sobre a tragédia que abalara sua família.
A decisão de Paiva de escrever "Ainda Estou Aqui" foi impulsionada por fatores pessoais e sociais. O autor revisitou o legado de seu pai em um contexto recente onde a verdade sobre os desaparecimentos forçados estava sendo discutida, especialmente após as revelações da Comissão da Verdade em 2013. A reflexão sobre a importância de registrar e preservar essas memórias tornou-se um imperativo moral, e não apenas uma trajetória pessoal.
A relevância de "Ainda Estou Aqui" foi amplificada com sua adaptação cinematográfica, realizada por Walter Salles. A atriz Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva, trazendo a personagem para a vida de maneira marcante. O filme, além de promover a obra original, foi laureado com prêmios internacionais, incluindo o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Essa transposição para o cinema reforça a história de resistência e a necessidade urgente de refletir sobre os horrores do passado.
A narratividade de Marcelo Rubens Paiva não apenas preserva a memória de sua família, mas também ressoa com centenas de outras histórias de luta e resiliência que permearam a história brasileira. "Ainda Estou Aqui" não é apenas um relato autobiográfico; é um convite à reflexão sobre o passado e suas implicações para o presente e futuro do Brasil.