Em março de 2025, cinco anos após o início da pandemia de Covid-19, o setor educacional brasileiro continua a lidar com desafios significativos, que afetam principalmente crianças e adolescentes, particularmente aqueles em situação de vulnerabilidade. A evasão escolar e a falta de alfabetização em níveis alarmantes trouxeram à tona as consequências nefastas de uma crise que ainda persiste. A pandemia não apenas interrompeu as aulas presenciais, mas também exacerbou desigualdades históricas e estruturais que permeiam o sistema educacional, principalmente nas escolas públicas e em regiões menos favorecidas.
Um estudo da UNICEF, realizado em 2023, evidenciou que mais de 619 mil crianças e adolescentes estavam fora da escola, um número surpreendentemente elevado, representando o dobro do que se registrava antes da crise sanitária. A taxa de abandono escolar no ensino médio é igualmente preocupante, com 7,3% dos meninos e 4,5% das meninas optando por interromper os estudos. Essa realidade reflete um cenário angustiante onde oportunidades de aprendizado se tornaram cada vez mais escassas.
Os desafios enfrentados pelo setor educacional vão além das consequências diretas da pandemia. A falta de infraestrutura, como a ausência de acesso à internet e a falta de dispositivos eletrônicos, impediu que muitos alunos conseguissem acompanhar o ensino remoto. Além disso, as complexas dinâmicas sociais e econômicas exigiram que diversos jovens abandonassem os estudos em busca de trabalho para ajudar suas famílias. O estresse gerado por essa crise também se revelou em um aumento significativo de atendimentos relacionados à saúde mental. Crianças e adolescentes estão apresentando níveis alarmantes de ansiedade e outros transtornos mentais, intensificando a necessidade de uma melhor abordagem em saúde mental dentro do ambiente escolar.
No entanto, há exemplos de sucesso que mostram que é possível ultrapassar esses obstáculos. Instituições como a Fundação Darcy Vargas (FDV) têm demonstrado que, com estratégias adequadas, é possível não apenas reduzir a evasão escolar, mas também alcançar índices acadêmicos superiores à média nacional. Por meio de parcerias estratégicas e um plano pedagógico adaptativo que foca na individualidade do aluno, a FDV conseguiu manter a taxa de evasão escolar em zero, ao mesmo tempo em que obtinha notas acima da média no ENEM.
Para garantir um futuro promissor para a educação no Brasil, torna-se essencial promover políticas públicas eficazes e integradas que abordem a inclusão e a qualidade do ensino. Isso deve incluir a integração de habilidades como pensamento crítico e competências digitais nos currículos escolares. Além disso, é fundamental fortalecer a ligação entre escolas e serviços de saúde mental para atender às crescentes necessidades emocionais de alunos.
O aumento do financiamento público e a valorização dos professores são imprescindíveis para superar os desafios educacionais que o Brasil enfrenta em 2025 e nos anos seguintes. Caso contrário, o risco de um cenário educacional ainda mais desigual se tornará uma realidade cada vez mais latente.