O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento da deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A investigação envolve um incidente que ocorreu em outubro de 2022, quando a parlamentar armou uma perseguição ao jornalista Luan Araújo, em um episódio que ganhou grande repercussão, especialmente às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Até o momento, quatro ministros já votaram pela condenação de Zambelli, que poderá enfrentar uma pena de até 5 anos e 3 meses de prisão em regime semi-aberto, além da possível cassação de seu mandato.
O inusitado episódio começou após uma discussão política nas ruas dos Jardins, em São Paulo, onde Zambelli sacou uma arma e começou a seguir Araújo. A ação foi gravada em vídeo, o que contribuiu para a escalada da repercussão negativa, considerando o contexto eletrônico e político da época. O Ministério Público Federal argumentou que, mesmo com o porte de arma regularizado, a deputada ultrapassou os limites do uso da força, classificando sua ação como abusiva e injustificada.
No decorrer do julgamento, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, manifestou seu voto pela condenação, sugerindo uma pena de 5 anos e 3 meses e a perda do mandato. Mendes foi acompanhado por Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, e, recentemente, o ministro Dino se uniu a este grupo, ampliando o placar para 4 a 0 a favor da condenação.
As implicações desse julgamento são profundas. Uma condenação e a subsequente cassação do mandato poderiam debilitar a base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem Zambelli é aliada. O incidente já havia gerado críticas durante a campanha eleitoral de 2022, refletindo uma erosão no suporte político da deputada. Com o desfecho do julgamento se aproximando, o STF não apenas decide sobre a culpabilidade de Zambelli, mas também define um novo capítulo no intricado cenário político brasileiro.