Num ambiente de negócios cada vez mais desafiador, uma nova polêmica emerge: alguns CEOs defendem jornadas de trabalho que chegam a 80 ou 90 horas semanais, sem pausas. Essa orientação radical levanta questões críticas sobre a produtividade, o bem-estar psicológico e a manutenção de um saudável equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Entre os notáveis defensores de tais práticas está Daksh Gupta, CEO da Greptile, uma startup de tecnologia localizada em São Francisco. Gupta tem se destacado por suas declarações controversas, afirmando que trabalhar 80 horas por semana é uma escolha de estilo de vida. Ele garante que a empresa se empenha em informar candidatos sobre as exigências de um ambiente de trabalho com alto estresse e sobre a potencial falta de equilíbrio entre vida e trabalho, antes mesmo de serem contratados.
Outro nome que ganhou destaque nessa discussão é Tallis Gomes, CEO da G4 Educação. Gomes também sugere que jornadas de 70 a 80 horas são fundamentais para alcançar o sucesso profissional. Ele não hesita em esclarecer que não contrata pessoas que considera ter uma mentalidade “esquerdista”, associando essa visão a uma suposta falta de comprometimento e disposição para o trabalho extenuante.
Entretanto, essa cultura de trabalho intensivo pode acarretar consequências devastadoras para a saúde mental dos colaboradores. O excesso de horas trabalhadas está diretamente ligado a fenômenos como o burnout, estresse crônico e queda na qualidade de vida. Ao mesmo tempo, a escassez de momentos dedicados à vida pessoal e familiar pode prejudicar não apenas as relações sociais, mas também a saúde física dos funcionários.
Em contraste com essas práticas, algumas empresas estão testando modelos de trabalho mais flexíveis, como a semana de quatro dias. Os defensores dessa abordagem afirmam que, através de uma gestão eficiente do tempo e priorização efetiva das tarefas, é totalmente viável manter a produtividade sem exigir excessos dos empregados.
A crítica às longas jornadas de trabalho não se limita apenas ao seu impacto na saúde e no bem-estar, mas também envolve questões legais e éticas. Por exemplo, no Brasil, existem normas legais, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que impõem limites à carga horária, além de salvaguardas constitucionais que garantem a liberdade de crenças filosóficas e políticas. Isso gera um conflito com as políticas de contratação implementadas por alguns desses CEOs.
O debate acerca das jornadas de trabalho extenuantes evidencia a divisão crescente entre líderes que priorizam uma produtividade extrema e aqueles que enxergam o valor em proporcionar um ambiente de trabalho que respeite o equilíbrio e o bem-estar dos seus colaboradores. Enquanto algumas organizações exploram modelos que visam um cenário mais saudável para o trabalhador, outras persistem na defesa de estratégias que podem resultar em consequências prejudiciais tanto para a saúde quanto para a qualidade de vida no ambiente de trabalho.