A Turquia foi abalada na última quarta-feira com a detenção do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, sob graves acusações que incluem corrupção e apoio a grupos terroristas. A ação das autoridades turcas seguiu com a apreensão de sua empresa de construção, a Imamoglu Construction, Trade and Industry, como resultado de investigações sobre crimes financeiros, conforme anunciado pelo escritório do procurador-chefe de Istambul.
Imamoglu, um destacado opositor do presidente Recep Tayyip Erdogan, foi preso em uma operação que também resultou na detenção de cerca de 100 pessoas, incluindo seu assistente, Murat Ongun. A polícia chegou à casa de Imamoglu antes do amanhecer, e ele foi levado por volta das 7h30, embora os detalhes sobre o que foi apreendido na residência ainda não tenham sido divulgados.
A reação da oposição turca foi rápida, considerando a detenção uma clara tentativa de golpe contra as futuras eleições presidenciais. Internacionalmente, a situação gerou preocupações exacerbadas, com críticos questionando a real motivação política por trás das ações da justiça. Entretanto, as autoridades turcas negam que a judicialização seja uma manobra política, insistindo na independência do sistema judiciário.
O impacto da detenção de Imamoglu se fez sentir rapidamente no mercado financeiro. O índice principal da Bolsa de Valores de Istambul sofreu uma queda significativa de 7%, levando as autoridades a interromper temporariamente as negociações para evitar uma crise de vendas em massa. Além disso, várias estradas em Istambul foram fechadas e manifestações proibidas na cidade por um período de quatro dias, reforçando a ideia de que o governo está intensificando suas medidas de controle.
As restrições impostas também atingiram o acesso a mídias sociais na Turquia, conforme relatado por grupos de defesa como a netblocks.org. Tais medidas são vistas como um indício do aumento da pressão governamental sobre a oposição e a liberdade de expressão no país, que já enfrenta um ambiente político tenso.
Imamoglu, que se tornou uma figura proeminente na política turca após vencer a eleição para a prefeitura em 2019, desafiando o partido de Erdogan, já havia enfrentado tentativas do governo de anular os resultados de sua eleição. Ele foi reeleito em eleições locais no ano anterior, reforçando sua posição como símbolo de resistência contra o governo atual.
Por detrás das detenções e da apreensão de sua empresa, analistas apontam para uma estratégia do governo para debilitar a oposição antes das próximas eleições nacionais. A oposição argumenta que o movimento é uma tentativa clara de manipular o processo eleitoral, buscando garantir a continuidade do domínio do partido de Erdogan.